terça-feira, 15 de abril de 2008
sexta-feira, 4 de abril de 2008
A Primavera chegou
O calor na Terra Quente já se fez sentir nos últimos dias. Junto ao tua apetece sentar um pouco a observar o azul das águas e ouvir os pássaros, muito activos nesta época do ano. São muitos os que procuram o bar junto ao rio para beberem uma bebida fresca, em contacto com a Natureza.
quinta-feira, 27 de março de 2008
quarta-feira, 26 de março de 2008
domingo, 23 de março de 2008
sexta-feira, 14 de março de 2008
Dia Internacional de Acção pelos Rios: este rio é TUA!

Hoje, dia 14 é o Dia Internacional de Acção pelos Rios.
Estão previstas algumas actividades ao longo do Rio Tua, para assinalar este dia.
Mais informação aqui.
Linha do Tua: Circulação novamente suspensa a partir de domingo

Bragança, 14 Mar (Lusa) - A linha do Tua vai ser encerrada novamente no troço afectado pelo acidente de Fevereiro de 2007, por determinação do Instituto de Mobilidade e Transportes Terrestres (IMTT), disse hoje à Lusa fonte ligada ao processo.
De acordo com a mesma fonte, o instituo fiscalizador ainda não recebeu do LNEC e da REFER a comprovação de que foram executadas as medidas de segurança necessárias à circulação ferroviária.
A linha reabriu, entre a Brunheda e Foz Tua, a 27 de Janeiro, com uma autorização temporária, que determinava que até 15 de Março teriam de ser entregues no IMTT os relatórios das condições de segurança.
Segundo a mesma fonte, essa informação ainda não chegou ao instituto, que notificou as diversas partes de que a partir de 16 de Fevereiro está interdita a exploração comercial da linha naquele troço.
Contactada pela Lusa, a CP informou que vai acatar a decisão da entidade de supervisão e que não depende desta empresa o retomar da circulação ferroviária.
A CP refere que "é afectada como os clientes", um mês e meio depois de a linha ter reaberto em toda a extensão, quase um ano passado do acidente que matou três ferroviários..
A REFER é a empresa responsável pela infra-estrutura e pelas obras já executadas e medidas de segurança a tomar, por indicação do LNEC.
HFI.
Lusa/fim
19:20 | Sexta-feira, 14 de Mar de 2008 in Expresso
Há uma alteração à notícia anterior (4 horas depois! Como as coisas mudam!). A Agência LUSA está a noticiar:
Linha do Tua: Suspensão adiada, REFER E LNEC têm uma semana para criarem condições
Instituto de Mobilidade e Transportes Terrestres dá uma semana à REFER e LNEC para providenciarem condições necessárias de segurança à circulação na linha.
23:20 | Sexta-feira, 14 de Mar de 2008
quarta-feira, 12 de março de 2008
Tardes de paz

Nas primeiras tardes de Março, respira-se paz à beira rio. O perfume das flores de pessegueiro mistura-se com o amarelo choque dos grelos floridos. Centenas de pássaros lançam sons chamativos, anunciando uma nova estação que teima em chegar cedo.
Indiferente, o rio corre tranquilamente, espelhando o céu azul e os rebentos ainda jovens dos choupos. Só as pessoas, eternos apressados, não têm tempo para saborear este manjar que está ali ao lado. Basta parar o carro, atravessar a linha do comboio e sentar-se à beira rio, esquecer o tempo, saciar-se de azul, verde ... de todas as cores diluídas com sons.
Assim senti Frechas, por breves instantes.
segunda-feira, 3 de março de 2008
Primeiro foral outorgado a Frechas pelo Senhorio Lourenço Soares
Nas Inquirições de D.Afonso III, de 1258, Frechas pertencia a Nuno Martins, de Chacim e antes havia sido regalenga, mas que naquela data já nada pertencia ao rei, mas ao seu Senhorio:
E mais disse que ouviu dizer a Nuno Martins de Chasin que Vale de Asnos e Cedaios (Cedainhos) e Frechas, que agora são de Nuno Martins, foram regalengas, do Senhor Rei e agora este delas nada detém.
Após a formação do Reino de Portugal, os primeiros monarcas fizeram a doação do Senhorio de Frechas para povoar, explorar e defender em tempo de guerra, mas que numa fase preliminar haviam sido regalengas.
O seu senhorio concedeu-lhe a primeira Carta de Foral, baseado na qual D. Manuel I lhe outorgou posteriormente Foral Novo ou Manuelino:
" A quantos esta nossa Carta de Foral virem, dado à Vila de Frechas, fazemos saber que por bem das diligencias, exames e inquirições que em nosso reino mandamos fazer para justificação e declaração dos forais deles. E por algumas sentenças e determinações que com o nosso Conselho e letrados passamos, acordamos, visto o foral da dita vila dado por Lourenço Soares, que as rendas e direitos se devem na dita vila pagar e arrecadar na maneira e forma seguinte..."
Frechas tradição e modernidade - Ilda Fernandes
E mais disse que ouviu dizer a Nuno Martins de Chasin que Vale de Asnos e Cedaios (Cedainhos) e Frechas, que agora são de Nuno Martins, foram regalengas, do Senhor Rei e agora este delas nada detém.
Após a formação do Reino de Portugal, os primeiros monarcas fizeram a doação do Senhorio de Frechas para povoar, explorar e defender em tempo de guerra, mas que numa fase preliminar haviam sido regalengas.
O seu senhorio concedeu-lhe a primeira Carta de Foral, baseado na qual D. Manuel I lhe outorgou posteriormente Foral Novo ou Manuelino:
" A quantos esta nossa Carta de Foral virem, dado à Vila de Frechas, fazemos saber que por bem das diligencias, exames e inquirições que em nosso reino mandamos fazer para justificação e declaração dos forais deles. E por algumas sentenças e determinações que com o nosso Conselho e letrados passamos, acordamos, visto o foral da dita vila dado por Lourenço Soares, que as rendas e direitos se devem na dita vila pagar e arrecadar na maneira e forma seguinte..."
Frechas tradição e modernidade - Ilda Fernandes
quinta-feira, 28 de fevereiro de 2008
População do Cachão queixa-se da poluição causada por fábrica local
Frechas
O fumo e a sujidade proveniente de uma fábrica de extracção de óleo de bagaço de azeitona, instalada no Cachão, em Frechas, está a gerar queixas por parte de população local. O ano passado, os moradores já denunciaram a situação ao Ministério do Ambiente, através de um abaixo-assinado. No entanto, até ao momento, ainda não receberam qualquer resposta. Os responsáveis pela fábrica dizem-se dispostos a “minorar” os prejuízos causados à população.
Veja mais aqui:
http://www.semanariotransmontano.com/noticia.asp?idEdicao=124&id=5501&idSeccao=1393&Action=noticia
O fumo e a sujidade proveniente de uma fábrica de extracção de óleo de bagaço de azeitona, instalada no Cachão, em Frechas, está a gerar queixas por parte de população local. O ano passado, os moradores já denunciaram a situação ao Ministério do Ambiente, através de um abaixo-assinado. No entanto, até ao momento, ainda não receberam qualquer resposta. Os responsáveis pela fábrica dizem-se dispostos a “minorar” os prejuízos causados à população.
Veja mais aqui:
http://www.semanariotransmontano.com/noticia.asp?idEdicao=124&id=5501&idSeccao=1393&Action=noticia
Carta de Foral
Aliado às comemorações dos 495 anos do foral, o blog frechas-frechas.blogspot.com, vai durante os próximos dias divulgar aqui alguns aspectos importantes, relacionados com o foral concedido à Vila de Frechas.Conhece-se que o primeiro foral de Frechas lhe foi outorgado pelo seu senhorio, Lourenço Soares, antes de 1258, que instituiu Frechas como concelho e vila, conforme consta nas inquirições de D. Afonso III, de 1258, referenciado mais tarde no foral novo ou Manuelino. Foi com base nesta primeira carta, que D. Manuel legislou sobre os direitos e deveres dos moradores de Frechas, em continuidade e equivalência do antigo, substituindo somente nos deveres o foro de oitava pelo de novena.
No século XVI, com base no anterior, foi-lhe outorgado Foral Novo por D. Manuel I, que mão focava todos os pontos, nos que faltavam, os moradores de Frechas tinham de guiar-se pelo estipulado no Foral e Miranda do Douro.
quarta-feira, 27 de fevereiro de 2008
domingo, 24 de fevereiro de 2008
Mirandela:Vale do Tua é uma mina inexplorada - ambientalistas

Mirandela, 24 Fev (Lusa) - O rio e a linha ferroviária do Tua são uma "mina" por explorar em Trás-os-Montes, podendo servir de base para o desenvolvimento turístico e económico das populações locais, defendeu hoje João Branco, dirigente da associação ambientalista Quercus.
Cerca de meia centena de pessoas viajaram hoje no metro de Mirandela, que percorre a linha ferroviária do Tua, e concentraram-se na estação de Abreiro, no âmbito da iniciativa "Por Linhas Travessas" que pretende dar a conhecer a paisagem, fauna e flora do vale do Tua.
A iniciativa foi do Núcleo de Estudos do e Protecção do Ambiente (NEPA) da Universidade de Trás-os-Montes e Alto Douro (UTAD), em colaboração com a núcleo de Vila Real da Quercus e da Coordenadora de afectados pelas Grandes Barragens e Transvases (Coagret).
"O rio Tua apresenta um conjunto importante de aspectos no âmbito da fauna, da flora, da geologia, da paisagem, do património arqueológico e da cultura. Este vale, com o rio e a linha-férrea, representam uma mina ainda por explorar", afirmou João Branco.
É que, para o ambientalista, as gargantas apertadas que caracterizam o vale do Tua, "proporcionam paisagens e condições hídricas óptimas para o usufruto da canoagem e disciplinas associadas" e a linha de caminho de ferro, com 120 anos de vida e considerada uma das mais belas da Europa, "serve de forma perfeita a acessibilidade para as actividades de descoberta do vale".
São "muitas" as espécies que habitam neste território, desde a garça real, a águia de bonelli, cegonha negra, o bufo real, ou, em termos de flora, albergando dois habitats prioritários de zimbro e sobreiro, que constam da directiva habitat da União Europeia.
Foram também muitos os turistas, vindos desde Braga, Coimbra, Porto, Vila Real, canoístas de Fafe, estudantes Erasmus da Polónia e até um casal de ingleses que apanhou boleia com o grupo, que viajaram no metro do Tua.
Para a maior parte foi a primeira vez que fez este percurso e por isso as reacções à paisagem foram de "espanto" e de "encanto".
"A paisagem é muito bonita, embora um pouco assustadora nas zonas mais íngremes e escarpadas. Gostei muito de tudo", disse à Lusa, Paula Carvalheiro, que viajou desde o Porto.
Já Rui Silva, que se deslocou desde Coimbra, caracteriza a paisagem do vale como "extraordinária", considerando "inadmissível" que ela seja destruída pela subida das águas da barragem.
Inês Bião estuda na UTAD e trouxe o pai, Inácio, de propósito para conhecer a região e a reacção dos dois foi idêntica: "é uma paisagem magnífica".
Para Leonel Castro, do clube náutico de Fafe, o rio Tua apresenta "excelentes condições para a prática de canoagem, formando grandes ondas e rápidos, sendo ainda navegável praticamente durante todo o ano".
Aos turistas juntaram-se alguns populares das aldeias de Abreiro e Vieiro.
Para Arnaldo Fontes, habitante de Abreiro, a linha não devia encerrar porque "nem todas as pessoas tem carro ou dinheiro para alugar um táxi quando precisam de ir, por exemplo, a Mirandela".
Já Carolino Augusto, do Vieiro, disse ter muita pena de ver fechar a linha onde trabalhou, em reparações, durante muitos anos e que considera ser ainda um importante meio de transporte.
O principal "inimigo" do vale do Tua é, na opinião dos ambientalistas, a barragem prevista para a foz do rio e cujo concurso público para a sua construção abriu este mês.
João Branco referiu os impactes negativos, a nível do ambiente e também da economia local.
"Vinte por cento das vinhas do concelho de Murça, mas as que dão mais e melhores vinhos, vão ficar destruídas afectando o principal sustento de dezenas de famílias", salientou.
Apesar de ainda não se saber a que cota vai ser construída a barragem, João Branco considera que o vale do Tua ficará "irremediavelmente destruído" com esta infra-estrutura, que, na sua opinião, só trará lucros aos "grandes grupos económicos e não às populações locais".
Para além de defender a manutenção da linha do Tua, que actualmente se estende apenas do Tua (Carrazeda de Ansiães) a Mirandela, Pedro Couteiro, dirigente da Coagret, quer ainda que se recupere a ligação a Bragança e se estenda a Puebla de Sanabria, em Espanha.
A futura ligação ferroviária em Alta Velocidade Madrid-Puebla de Sanabria deverá estar concluída em 2012, e, segundo o responsável, tendo em conta que Bragança se encontra a pouco mais de 30 quilómetros de Sanabria, "seria imperativo estudar a conexão entre estes dois pontos, pois esse projecto permitiria oferecer novos horizontes a toda a região de Trás-os-Montes".
"Por Linhas Travessas" é um ciclo de percursos pedestres, ferroviários e fluviais que pretende dar a conhecer a região de Trás-os-Montes e Alto Douro através das linhas de caminho de ferro.
Joaquim Silva, do NEPA, referiu que, nos próximos meses, vão ser organizadas passeios, todos acompanhados por especialistas em fauna, flora e paisagem, nas linhas estreitas do Tâmega, Corgo, estando previsto ainda um regresso ao Tua.
Também para 14 de Março, em que se assinala o Dia Internacional da acção dos danos contra os rios, água e a vida, as três associações ambientalistas estão já a programar um conjunto de iniciativas que decorrerão entre Mirandela e a estação do Tua.
PLI.
Lusa/Fim
sábado, 16 de fevereiro de 2008
Incêndio numa instalação de gás provoca um ferido, em Frechas
Era quase as 10 da manhã do dia 11, quando Marco Sarmento se preparava para trocar uma botija de gás de 35 quilos vazia por uma cheia, quando sentiu o cheiro a gás. “A instalação devia estar com fuga de gás e eu tentei fechar a torneira, mas foi tudo muito rápido. Passados seis segundo saíram chamas. Senti queimar a cara e sai fora”, conta. A pequena explosão provocou queimaduras de 1º e 2º grau na face de Marco Sarmento. Com a cara queimada o funcionário de uma empresa de venda de gás telefonou prontamente para o 112, de onde atenderam da PSP de Bragança, como é do protocolo. “Disse que tinha a cara queimada e que era preciso um carro dos bombeiros para apagar as chamas, porque podia explodir”, explica. Mas, apesar de ter dito que tinha a cara queimada, Marco Sarmento não disse que precisava de uma ambulância para ser socorrido, e poucos minutos depois só chegou o carro dos bombeiros de Mirandela. Perante a ausência de transporte para o Hospital, o queimado foi transportado até ao Hospital por um colega da empresa. Enquanto esperava pelos bombeiros, Marco Sarmento ainda terá sido aconselhado por José Fernando, um vizinho da casa afectada, que o aconselhou a retirar do local a carrinha carregada de botijas de gás. Cerca de duas horas depois do sucedido a directora clínica da unidade de saúde de Mirandela explicava que o indivíduo de 21 anos tinha “queimaduras de 1º e 2º grau na face”., Ilda Matos acrescentava que Marco Sarmento “depois de avaliado foi internado em observação para tratamento”. Como precaução foi feito um raio-x ao tórax. No casa afectada pela explosão de gás, o comandante dos Bombeiros de Mirandela explicava que não receberam do 112 qualquer tipo de pedido de ambulância, mas apenas de um carro de combate a incêndios. Carlos Ricardo revela que ainda são desconhecidas as causas da explosão. A casa não foi afectada.
Jornal Terra Quente
terça-feira, 12 de fevereiro de 2008
TUA Muitos idosos e poucos turistas
Vão chegando na alegre algazarra dos adolescentes. E, no entanto, são idosos quase todos, os passageiros que entram na automotora verde acantonada na estação de Mirandela, com destino aprazado para dali a um par de horas e 55 quilómetros, na estação terminal do Tua. Chegarão lá cinco dos 26 viajantes que a máquina carrega... A benevolência extemporânea do clima e o resultado sofrível da selecção nacional de futebol polarizam as conversas por género - mistérios da meteorologia para elas, misérias desportivas para eles. E assim, sem atritos nem atropelos, não tarda que os 24 lugares disponíveis no bólide, uma dúzia alinhada em cada lado, estejam ocupados por autóctones.Forasteiros, apenas quatro dos 24 mil que utilizam a linha por ano, facilmente discerníveis um casal pelo trajo, tão casual que sugere um fato de treino (o dele com Spalding escrito no peito); o outro pelo sotaque, trazido do Funchal nas férias curtas do Carnaval. Soando as 10 horas, a automotora verde, uma das três LRV2000 que a Metro de Mirandela opera - havia outra, mas foi abatida após o acidente de há um ano que vitimou três pessoas -, ronrona os motores na via estreita e parte rumo a uma paisagem única e arrebatadora. E que é já memória...
Uma velha apeia-se com os vagares da idade em Latadas, o primeiro apeadeiro. Ninguém reclama da demora, que a conversa está boa e a paisagem é demasiado urbana para ser interessante. O rio corre do lado direito sem atritos, entre as leiras e a neblina. Após um túnel breve, a grande evasão dá-se em Frechas, onde calha sair Alice Caravelas. A professora liceal, de 30 anos, advoga não só a utilidade da linha - "não tenho carro e é barato (menos 60 cêntimos do que o autocarro para Frechas) -, mas também a vertente lúdica "Já fui algumas vezes até ao Tua e quero repetir na Páscoa, antes que a linha encerre", garante, admitindo que "a barragem talvez supere a receita do turismo", mais pródigo no Verão, embora "no Inverno seja mais atractivo", assinala. "Só que não há muita divulgação", diz. E sai. Leva mais seis passageiros com ela. Após 12 quilómetros e muitas curvas e trepidações, ruminando o verde da paisagem lavrada, a automotora deixa mais seis em Ribeirinha, estação habitada e limiar da civilização. A meia dúzia é contestatária: "No ano passado, fiz 114 viagens. Estou a viver em Mirandela e tenho aqui as fazendas. Se a linha for fechada, tenho de ir e vir de qualquer maneira", protesta Adelino Trigo, de 77 anos. É socorrido, na defesa da linha, por Acácio Amaral, aposentado da GNR aos 54 anos e viajante incansável: "Desde jovem que uso este transporte. A minha mulher vai uma vez por mês a Penafiel e ao Porto e vamos sempre neste", assegura, dando conta dos malefícios de uma barragem: "Prefiro a linha. Primeiro, a riqueza que existe, os melhores terrenos, fica tudo submerso", afiança, interrogando: "O que é que essas pessoas vão fazer depois? Vão viver de quê? Se já assim vão daqui para fora
".
Dali para fora está quase a partir a automotora, mas eis que surge, caminhando pela via, quatro elementos da Refer. Estão a fazer, explicam, o levantamento do estado da linha, visando a optimização da velocidade para o comboio andar mais depressa". Porque mais vagar é difícil, mas também imprescindível "De Ribeirinha ao Tua, o comboio circula com marcha à vista - nunca a mais de 30 Km/h, permitindo parar após identificar um obstáculo". Santa LuziaMunidos do contexto daquele vagar que não amacia a trepidação, os passageiros entregam-se à contemplação da Natureza.
É a partir de Abrunhedo que se calam as vozes e abrem-se de espanto os olhos dos iniciados. Impressionam-se com pouco, ainda, os turistas montes penteados pelo aro acolhem vinhas, identificam-se amendoeiras ameaçando florir, salgueiros e choupos, há azenhas desnudas ladeando as águas que afeiçoam o leito xistoso. Chega-se a Abreiro e, após ter saído mais alguma, há permuta de gente - saem quatro, entram duas - sem que se vislumbre para onde irá quem fica, embora haja, logo acima, uma ponte de betão. A estação, esventrada, assinala a civilização com um grafito ridículo gritando impropérios na parede.
O rio amodorra-se um pouco, ali, e acolhe, até, um pato no meio de um aluvião. Mas quanto mais penetra a automotora na via, mais o penedo se agiganta e atemoriza, granítico, e estéril. A vontade do homem, porém, engendrou bancadas no dorso da escarpa, e lá plantou oliveiras que enxameiam a encosta, até não lhe ser mais possível combater a pedra, rugosa e bruta. Mortal, aquele declive.
E quase em Santa Luzia, o maquinista, ciente da natureza humana, abranda para que o povo veja a mais nova, e macabra, atracção turística o local onde se despenhou, há um ano, uma automotora, matando três pessoas. "Foi aqui", informa. "Ah, louvado seja Deus
", exclama uma mulher, piedosa, tentando fotografar uma nesga de rio lá em baixo. Garantido o postal, benze-se. Em Santa Luzia, percebe-se como a engenharia, por vezes, é perversa: vêem-se as amarrações de acesso, por teleférico, do povo de Amieiro, aldeia pendurada na outra encosta, à estação. Mas não há teleférico.
Estação do Tua
A automotora entra no destino final como um carrossel a linha, sinuosa, afaga os flancos do maciço, a trepidação aterroriza as almas sensíveis que, ainda assim, mantém a vista presa, obstinada, à paisagem em que avulta o voo planado de uma ave de rapina - o único apontamento de suavidade. E, quatro túneis depois, surge o oásis ferroviário da estação do Tua, onde jaz a carcaça de uma automotora vermelha anunciando o destino que espera, talvez, a linha inteira: a podridão. "Acho uma pena, por esta linha, e esta paisagem, que é uma mais valia enorme. Tem é de ser mais divulgada, porque o bilhete não é nada caro", diz o madeirense José Cristiano Branco, professor de Educação Física. A mulher explica a origem da viagem insólita "Vi imagens na televisão pelos piores motivos - o acidente - e, há dias, vimo-las outra vez, a propósito da reabertura da linha. Como disseram que podia fechar, viemos cá antes disso". E, apesar de estar "só de passagem", não deixa de se interrogar: "E se o Douro é Património Mundial, como é possível desprezar esta linha?".
JN
terça-feira, 29 de janeiro de 2008
O primeiro dia da 'nova' linha ferroviária do Tua

População já não tinha qualquer esperança de voltar a ver comboio
A Linha do Tua reabriu ontem o troço de 52 quilómetros entre Mirandela e Tua, quase um ano depois do acidente em que morreram três ferroviários. O primeiro comboio saiu da estação de Mirandela às 10.00 envolto em denso nevoeiro que acompanhou a composição ao longo de todo o percurso.A viagem inaugural estava inicialmente destinada apenas à Comunicação Social, mas as portas acabaram por ser franqueadas à população que quisesse aproveitar a viagem. Cinco pessoas corresponderam ao convite a aproveitaram o primeiro comboio para rumar a Carrazeda de Ansiães.E ao longo do trajecto alguns elementos da população foram confidenciando que já não tinham qualquer esperança de voltar a ver o comboio por aquelas bandas. Para Isilda Domingos, residente em Frechas, "o comboio é o meio de transporte essencial, além de mais barato, passa mesmo à minha porta. Já tinha saudades, e apareceu logo numa manhã de nevoeiro" , comenta.Também Armindo Augusto, passageiro habitual da Linha do Tua, ontem viajou de graça por ter sido o primeiro a fazer a viagem na sua reabertura, depois do acidente de 12 de Fevereiro, e o único a fazer o percurso na sua totalidade. Dos restantes passageiros, todos saíram nas estações anteriores ao troço onde ocorreu o acidente. "Hoje pode ir de graça", transmitiu-lhe o revisor.Para José Silvano, presidente da Câmara de Mirandela, o dia era de felicidade. "Não só para mim", dizia ao DN, "mas também para a população das sete aldeias encravadas no vale do Tua , cuja única hipótese de transporte é o comboio". Para estas pessoas, que vivem em aldeias isoladas, a alternativa de transporte é o táxi. "Sai muito caro, e muitas vezes a população não o utiliza, mesmo para ir ao médico, porque não tem possibilidades económicas", reconhece o autarca. Não é apenas o trasporte dos residentes que o presidente da Câmara de Mirandela vê na Linha do Tua. José Silvano acredita no potencial turístico daquela ferrovia e aponta números: "Já trazia cerca de 12 mil pessoas ano ao vale do Tua, número que poderá vir a aumentar para 20 mil com uma boa divulgação por parte da CP e dos municípios envolventes".A colocar em causa estas aspirações está a construção de uma barragem. No entanto, José Silvano confia que "o Governo vai ter o bom senso de não a construir. Seria mau para as populações e para o desenvolvimento regional, ganhamos mais com a linha do que com a barragem, e há alternativas como por exemplo a construção de mini-hídricas", defende.Quanto à segurança, garante que a Linha do Tua " é totalmente segura, em 120 anos apenas teve um acidente, o de 12 de Fevereiro de 2007". Depois disso a linha foi reabilitada e agora o local do acidente está identificado com barreiras de sustentação. Taludes e redes seguram a ravina de onde desabaram as pedras que fizeram descarrilar ao início da noite de 12 de Fevereiro de 2006 uma carruagem do metro de Mirandela com cinco pessoas a bordo. Três acabaram por falecer.Desde ontem os utentes terão à sua disposição duas ligações em cada sentido de manhã e no final do dia. O percurso entre Mirandela e o Tua demorará duas horas, mais meia hora do que antes do acidente. Esta condição de velocidade reduzida na maior parte da linha, por forma a o maquinista ter condições de detectar eventuais obstáculos e travar atempadamente, foi imposta pelo Laboratório Nacional de Engenharia Civil.Ontem o comboio foi conduzido por Fernando Pires que não é maquinista, mas agente de condução. Fez a viagem sem qualquer receio, pois afirma, "há mais acidentes nas estradas que nas vias férreas. Depois de 12 anos a viajar por estes carris não considera a linha mais perigosa do que as outras.
A Linha do Tua reabriu ontem o troço de 52 quilómetros entre Mirandela e Tua, quase um ano depois do acidente em que morreram três ferroviários. O primeiro comboio saiu da estação de Mirandela às 10.00 envolto em denso nevoeiro que acompanhou a composição ao longo de todo o percurso.A viagem inaugural estava inicialmente destinada apenas à Comunicação Social, mas as portas acabaram por ser franqueadas à população que quisesse aproveitar a viagem. Cinco pessoas corresponderam ao convite a aproveitaram o primeiro comboio para rumar a Carrazeda de Ansiães.E ao longo do trajecto alguns elementos da população foram confidenciando que já não tinham qualquer esperança de voltar a ver o comboio por aquelas bandas. Para Isilda Domingos, residente em Frechas, "o comboio é o meio de transporte essencial, além de mais barato, passa mesmo à minha porta. Já tinha saudades, e apareceu logo numa manhã de nevoeiro" , comenta.Também Armindo Augusto, passageiro habitual da Linha do Tua, ontem viajou de graça por ter sido o primeiro a fazer a viagem na sua reabertura, depois do acidente de 12 de Fevereiro, e o único a fazer o percurso na sua totalidade. Dos restantes passageiros, todos saíram nas estações anteriores ao troço onde ocorreu o acidente. "Hoje pode ir de graça", transmitiu-lhe o revisor.Para José Silvano, presidente da Câmara de Mirandela, o dia era de felicidade. "Não só para mim", dizia ao DN, "mas também para a população das sete aldeias encravadas no vale do Tua , cuja única hipótese de transporte é o comboio". Para estas pessoas, que vivem em aldeias isoladas, a alternativa de transporte é o táxi. "Sai muito caro, e muitas vezes a população não o utiliza, mesmo para ir ao médico, porque não tem possibilidades económicas", reconhece o autarca. Não é apenas o trasporte dos residentes que o presidente da Câmara de Mirandela vê na Linha do Tua. José Silvano acredita no potencial turístico daquela ferrovia e aponta números: "Já trazia cerca de 12 mil pessoas ano ao vale do Tua, número que poderá vir a aumentar para 20 mil com uma boa divulgação por parte da CP e dos municípios envolventes".A colocar em causa estas aspirações está a construção de uma barragem. No entanto, José Silvano confia que "o Governo vai ter o bom senso de não a construir. Seria mau para as populações e para o desenvolvimento regional, ganhamos mais com a linha do que com a barragem, e há alternativas como por exemplo a construção de mini-hídricas", defende.Quanto à segurança, garante que a Linha do Tua " é totalmente segura, em 120 anos apenas teve um acidente, o de 12 de Fevereiro de 2007". Depois disso a linha foi reabilitada e agora o local do acidente está identificado com barreiras de sustentação. Taludes e redes seguram a ravina de onde desabaram as pedras que fizeram descarrilar ao início da noite de 12 de Fevereiro de 2006 uma carruagem do metro de Mirandela com cinco pessoas a bordo. Três acabaram por falecer.Desde ontem os utentes terão à sua disposição duas ligações em cada sentido de manhã e no final do dia. O percurso entre Mirandela e o Tua demorará duas horas, mais meia hora do que antes do acidente. Esta condição de velocidade reduzida na maior parte da linha, por forma a o maquinista ter condições de detectar eventuais obstáculos e travar atempadamente, foi imposta pelo Laboratório Nacional de Engenharia Civil.Ontem o comboio foi conduzido por Fernando Pires que não é maquinista, mas agente de condução. Fez a viagem sem qualquer receio, pois afirma, "há mais acidentes nas estradas que nas vias férreas. Depois de 12 anos a viajar por estes carris não considera a linha mais perigosa do que as outras.
DN/Lusa
quarta-feira, 23 de janeiro de 2008
Linha do Tua reabre já na próxima semana
A linha do Tua vai reabrir na sua totalidade já na próxima semana. Esta decisão saiu da reunião, que teve lugar hoje em Lisboa, entre a CP, a administração da empresa Metro de Mirandela e a câmara desta cidade.
A reabertura vai acontecer com duas viagens de manhã e duas à tarde, entre Mirandela e o Tua, a fim de fazer as conexões com os comboios que ligam a região do Douro ao Porto.
Recorde-se que a linha, entre a estação do Tua e a da Brunheda, encontra-se encerrada desde o acidente de 12 de Fevereiro de 2007, envolvendo uma composição da Refer, que, devido ao deslizamento de terras e pedras, mergulhou dezenas de metros até ao rio, provocando a morte a três pessoas.
José Silvano, presidente da Câmara de Mirandela, disse ao PÚBLICO que “esta reabertura vai fazer-se seguindo as indicações do Laboratório Nacional de Engenharia Civil (LNEC)”, isto é com a chamada marcha à vista – que significa que o maquinista deve avançar a uma velocidade que o próprio, mediante as condições atmosféricas ou outras, considere as indicadas para observar toda a segurança na circulação.
Esta reabertura acontece num momento de muita incerteza quanto ao futuro deste trecho ferroviário, um dos mais belos do mundo, pois está para breve a decisão do Governo de atribuição, provavelmente à EDP, da construção da barragem da foz do rio Tua, que inundará parte desta linha, inviabilizando assim o seu funcionamento pleno.
Visto em: Jornal O Público
A reabertura vai acontecer com duas viagens de manhã e duas à tarde, entre Mirandela e o Tua, a fim de fazer as conexões com os comboios que ligam a região do Douro ao Porto.
Recorde-se que a linha, entre a estação do Tua e a da Brunheda, encontra-se encerrada desde o acidente de 12 de Fevereiro de 2007, envolvendo uma composição da Refer, que, devido ao deslizamento de terras e pedras, mergulhou dezenas de metros até ao rio, provocando a morte a três pessoas.
José Silvano, presidente da Câmara de Mirandela, disse ao PÚBLICO que “esta reabertura vai fazer-se seguindo as indicações do Laboratório Nacional de Engenharia Civil (LNEC)”, isto é com a chamada marcha à vista – que significa que o maquinista deve avançar a uma velocidade que o próprio, mediante as condições atmosféricas ou outras, considere as indicadas para observar toda a segurança na circulação.
Esta reabertura acontece num momento de muita incerteza quanto ao futuro deste trecho ferroviário, um dos mais belos do mundo, pois está para breve a decisão do Governo de atribuição, provavelmente à EDP, da construção da barragem da foz do rio Tua, que inundará parte desta linha, inviabilizando assim o seu funcionamento pleno.
Visto em: Jornal O Público
terça-feira, 22 de janeiro de 2008
CP e Metro de Mirandela decidem hoje se vale a pena reabrir troço acidentado
Os presidentes da CP e do Metro de Mirandela decidem hoje, em Lisboa, se vale a pena reabrir o troço acidentado da linha do Tua, encerrado há quase um ano, e cujas obras de reposição estão concluídas desde Outubro
O último troço, dos cerca de 60 quilómetros de ferrovia que ligam Mirandela ao Tua e à linha do Douro, está encerrado há quase um ano, desde o acidente de 12 de Fevereiro em que morreram três pessoas, devido ao desabamento de pedras sobre a linha.
Os trabalhos de reposição da infra-estrutura estão concluídos desde Outubro, mas o troço mantém-se encerrado entre a Brunheda e o Tua, com o percurso a ser feito por táxis ao serviço da CP.
Os dois responsáveis vão analisar se há condições para retomar a circulação, face às restrições impostas pelo LNEC para que se circule em marcha à vista em metade da linha até ao Tua e devido às consequências da construção da barragem na foz do rio Tua.
José Silvano, presidente do Metro de Mirandela e da autarquia local, já disse que tem dúvidas «se vale a pena reabrir o troço, a uma velocidade reduzida de 10 quilómetros por hora». Outra questão em cima da mesa é a construção da barragem na foz do rio Tua, que, independentemente da cota a que for construída, irá submergir parte da linha-férrea.
José Silvano referiu ter agora «a certeza de que a responsável pelo atraso na reabertura do troço é a barragem» e reiterou que ele próprio defenderá o encerramento se a barragem cortar a ligação à linha do Douro, na foz do Tua, e consequentemente do interior ao litoral.
Lusa/SOL
O último troço, dos cerca de 60 quilómetros de ferrovia que ligam Mirandela ao Tua e à linha do Douro, está encerrado há quase um ano, desde o acidente de 12 de Fevereiro em que morreram três pessoas, devido ao desabamento de pedras sobre a linha.
Os trabalhos de reposição da infra-estrutura estão concluídos desde Outubro, mas o troço mantém-se encerrado entre a Brunheda e o Tua, com o percurso a ser feito por táxis ao serviço da CP.
Os dois responsáveis vão analisar se há condições para retomar a circulação, face às restrições impostas pelo LNEC para que se circule em marcha à vista em metade da linha até ao Tua e devido às consequências da construção da barragem na foz do rio Tua.
José Silvano, presidente do Metro de Mirandela e da autarquia local, já disse que tem dúvidas «se vale a pena reabrir o troço, a uma velocidade reduzida de 10 quilómetros por hora». Outra questão em cima da mesa é a construção da barragem na foz do rio Tua, que, independentemente da cota a que for construída, irá submergir parte da linha-férrea.
José Silvano referiu ter agora «a certeza de que a responsável pelo atraso na reabertura do troço é a barragem» e reiterou que ele próprio defenderá o encerramento se a barragem cortar a ligação à linha do Douro, na foz do Tua, e consequentemente do interior ao litoral.
Lusa/SOL
sábado, 29 de dezembro de 2007
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