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terça-feira, 12 de agosto de 2008

Cachão - Mirandela (II)

No dia 29 de Julho voltei à Linha do Tua. O objectivo era completar a segunda volta à linha, desta vez em pleno Verão, para poder comparar com aquela que tinha feito na Primavera.
Cheguei ao Cachão, pouco depois das 10 horas. Desta vez não dependia da passagem da automotora. Andava uma pessoa a arrancar algumas ervas nos passeios da estação e, numa curta conversa, fiquei a saber que o troço entre Frechas e Mirandela se encontrava em obras de melhoramento. A Linha do Tua estava toda assente em terra, mas, a situação foi sendo melhorada ao longo dos últimos tempos. Já tinha reparado que o troço mais envelhecido, era entre Frechas e Mirandela, exactamente aquele que se encontra agora em obras.
Esta informação aguçou a minha curiosidade. Na viagem que aqui fiz a 25 de Abril de 2008, tirei fotografias fantásticas, com as papoilas a invadirem a linha. Dá-me ideia que essas imagens nunca mais se vão repetir.

O quilómetro 42º acompanha a estrada N213. Foi uma zona em que tirei boas fotografias. O aspecto estava completamente diferente. Ladeavam a linha duas faixas de ervas completamente ressequidas, com sementes que se prendiam à roupa, lutando pela sua disseminação. Até o bonito jardim de uma moradia que existe sensivelmente a meio desse quilómetro, estava um pouco mais desleixado do que o habitual. Tinha muitas rosas secas.
Um pouco mais à frente reencontrei um casal de aves de rapina que habita esta zona. Estou em crer que se trata de um casal de milhafres-reais (Milvus milvus). Há outro casal de aves de rapina que nidifica entre a Ribeirinha e o Vilarinho das Azenhas, este deve nidificar aqui. Também, logo a seguir a Latadas, há um troço de rio muito largo, com muita água, onde, penso existir mais um casal residente.
Com o céu sem nuvens, o Faro parecia-me ali perto. Este monte fascina-me! Gosto muito de fotografar a linha com o monte a fazer de fundo. Parece até que estamos numa paisagem do centro ou norte da Europa.

Pouco depois avistei as o Bairro Nossa Senhora de Lurdes, em Frechas. Ao chegar à estação, não pude deixar de reparar nas ruínas em redor. Houve um tempo em que a linha era o principal acesso a estas terras. À volta das estações da linha cresciam comércios, pensões e armazéns, conforme a população que serviam. Por exemplo, o Cachão, era o ponto de entrada para o concelho de Vila Flor. Havia um serviço de autocarro entre Cachão e Vila Flor, mas já antes, esse percurso era feito a cavalo. Com a melhoria das estradas, o comboio foi perdendo importância e as infra-estruturas existentes foram sendo abandonadas. Em Frechas, não era difícil manter as casas de banho da estação operacionais, mas agora estão vandalizadas. Quando retomei a marcha apercebi-me que estava quase na hora de passar a automotora. Já não me dava tempo para chegar ao Túnel, por isso abandonei a linha e decidi esperar por ela à sombra de uns enormes choupos brancos. Passou poucos minutos depois, cheia de passageiros, muitos deles turistas que viajam na Linha do Tua por prazer. Estes são, cada vez mais.
Junto à Ponte da Carvalha, entretive-me a tentar fotografar as borboletas. As flores em volta da linha são poucas, ao contrário das borboletas que abundam, mas são muito ligeiras, voando ao mais pequeno movimento.

Pouco depois atravessei o Túnel de Frechas e a vista alargou-se de novo para o rio. A beleza deste vale está neste namoro constante, entre a linha e o rio que raramente se separam. Seguem o mesmo curso, traçam as mesmas curvas, rasgam as mesmas fragas, enfrentam as mesmas ameaças.
Entrei no troço em obras. Está a ser feita uma grande obra: construção de muros de sustentação, aquedutos de escoamento de águas; colocação de gravilha; substituição das travessas; nova soldadura dos carris. Estes são os melhoramentos que uns olhos não treinados vêem. Na zona em obras, é muito complicado andar pela linha. A gravilha cobre mesmo as travessas. Além de ser doloroso estar sempre a caminhar sobre este tipo de piso, é também perigoso. O facto de o pé não apoiar bem, aumenta o risco de entorses. São necessárias umas boas botas.
A zona das Latadas está completamente diferente. Há pouca água, mas as árvores, exuberantes, continuam a dar bastante beleza ao local.
Pouco antes de chegar à Quinta do Choupim, há uma zona plana, com pastos, que me deu grande gozo fotografar na Primavera. Como seria de esperar, agora estava tudo seco. Estava nessa zona quando passou uma nova automotora em direcção a Mirandela.
Era 1:50 da tarde e tinha quatro quilómetros para percorrer. Consultei os horários. Só tinha transporte de Mirandela para o Cachão às 16:14, por isso não tinha necessidade de me apressar.

Dois quilómetros antes de chegar a estação de Mirandela, encontrei o local onde decorriam as obras de substituição das travessas mais velhas. O trabalho é feito durante a noite, uma vez que é necessário arrancar os carris, por isso, não se via ninguém a trabalhar.
Cheguei junto da Ponte Europa. O ambiente era de festa. Do outro lado do rio via-se e adivinhava-se, grande animação, mas ainda contida, dado o calor da tarde.
Demorei bastante tempo a percorrer o último quilómetro. Parava a cada instante, espreitava o rio através do jardim. Sentei-me na relva, retirei as sapatinhas e a maior parte das sementes que levava presas às meias.
Às três e meia da tarde, atravessei todo o Parque do Império e parte da Ponte Românica para tirar algumas fotografias e comprar água fresca. Neste percurso não tive problemas com a água. As três garrafas pequenas que levei, chegaram-me até Mirandela. Apesar do sol, circulou sempre algum ar fresco e não transpirei muito, talvez também pelo facto da linha se encontrar mais próxima da frescura do rio, coisa que não acontece nos troços do início da linha.

À hora da partida da automotora, já estava na estação. Estava completamente lotada, também não me importei, viajo sempre de pé. Muitas das pessoas eram turistas. Alguns vão de carro até ao Tua, fazem o percurso ascendente, almoçam em Mirandela e voltam ao Tua pela tarde.
Com a aproximação do Verão, as automotoras circulam sempre cheias. A linha tornou-se uma atracção turística, mais pela polémica, do que pela promoção que as autarquias fazem. Antes pelo contrário, algumas autarquias, escondem o Rio e a Linha do Tua, com receio que as suas ideias mercantilistas sejam postas à prova, contrariando a ideia de que a linha não é utilizada.
Regressei ao Cachão na automotora. Completei com este percurso, duas voltas à linha, entre Foz-Tua e Mirandela. Talvez quando chegar o mês de Outubro me anime a percorrê-la de novo, em busca das cores do Outono. Até lá, vou-me deliciando com centenas e centenas de fotografias e as recordações de passeios inesquecíveis.


Mais informação no Blog: A Linha é Tua

sexta-feira, 4 de abril de 2008

A Primavera chegou

O calor na Terra Quente já se fez sentir nos últimos dias. Junto ao tua apetece sentar um pouco a observar o azul das águas e ouvir os pássaros, muito activos nesta época do ano. São muitos os que procuram o bar junto ao rio para beberem uma bebida fresca, em contacto com a Natureza.

sexta-feira, 14 de março de 2008

Dia Internacional de Acção pelos Rios: este rio é TUA!



Hoje, dia 14 é o Dia Internacional de Acção pelos Rios.
Estão previstas algumas actividades
ao longo do Rio Tua, para assinalar este dia.
Mais informação aqui.

quarta-feira, 12 de março de 2008

Tardes de paz


Nas primeiras tardes de Março, respira-se paz à beira rio. O perfume das flores de pessegueiro mistura-se com o amarelo choque dos grelos floridos. Centenas de pássaros lançam sons chamativos, anunciando uma nova estação que teima em chegar cedo.
Indiferente, o rio corre tranquilamente, espelhando o céu azul e os rebentos ainda jovens dos choupos. Só as pessoas, eternos apressados, não têm tempo para saborear este manjar que está ali ao lado. Basta parar o carro, atravessar a linha do comboio e sentar-se à beira rio, esquecer o tempo, saciar-se de azul, verde ... de todas as cores diluídas com sons.
Assim senti Frechas, por breves instantes.

domingo, 24 de fevereiro de 2008

Mirandela:Vale do Tua é uma mina inexplorada - ambientalistas


Mirandela, 24 Fev (Lusa) - O rio e a linha ferroviária do Tua são uma "mina" por explorar em Trás-os-Montes, podendo servir de base para o desenvolvimento turístico e económico das populações locais, defendeu hoje João Branco, dirigente da associação ambientalista Quercus.

Cerca de meia centena de pessoas viajaram hoje no metro de Mirandela, que percorre a linha ferroviária do Tua, e concentraram-se na estação de Abreiro, no âmbito da iniciativa "Por Linhas Travessas" que pretende dar a conhecer a paisagem, fauna e flora do vale do Tua.
A iniciativa foi do Núcleo de Estudos do e Protecção do Ambiente (NEPA) da Universidade de Trás-os-Montes e Alto Douro (UTAD), em colaboração com a núcleo de Vila Real da Quercus e da Coordenadora de afectados pelas Grandes Barragens e Transvases (Coagret).
"O rio Tua apresenta um conjunto importante de aspectos no âmbito da fauna, da flora, da geologia, da paisagem, do património arqueológico e da cultura. Este vale, com o rio e a linha-férrea, representam uma mina ainda por explorar", afirmou João Branco.
É que, para o ambientalista, as gargantas apertadas que caracterizam o vale do Tua, "proporcionam paisagens e condições hídricas óptimas para o usufruto da canoagem e disciplinas associadas" e a linha de caminho de ferro, com 120 anos de vida e considerada uma das mais belas da Europa, "serve de forma perfeita a acessibilidade para as actividades de descoberta do vale".
São "muitas" as espécies que habitam neste território, desde a garça real, a águia de bonelli, cegonha negra, o bufo real, ou, em termos de flora, albergando dois habitats prioritários de zimbro e sobreiro, que constam da directiva habitat da União Europeia.
Foram também muitos os turistas, vindos desde Braga, Coimbra, Porto, Vila Real, canoístas de Fafe, estudantes Erasmus da Polónia e até um casal de ingleses que apanhou boleia com o grupo, que viajaram no metro do Tua.
Para a maior parte foi a primeira vez que fez este percurso e por isso as reacções à paisagem foram de "espanto" e de "encanto".
"A paisagem é muito bonita, embora um pouco assustadora nas zonas mais íngremes e escarpadas. Gostei muito de tudo", disse à Lusa, Paula Carvalheiro, que viajou desde o Porto.
Já Rui Silva, que se deslocou desde Coimbra, caracteriza a paisagem do vale como "extraordinária", considerando "inadmissível" que ela seja destruída pela subida das águas da barragem.
Inês Bião estuda na UTAD e trouxe o pai, Inácio, de propósito para conhecer a região e a reacção dos dois foi idêntica: "é uma paisagem magnífica".
Para Leonel Castro, do clube náutico de Fafe, o rio Tua apresenta "excelentes condições para a prática de canoagem, formando grandes ondas e rápidos, sendo ainda navegável praticamente durante todo o ano".
Aos turistas juntaram-se alguns populares das aldeias de Abreiro e Vieiro.
Para Arnaldo Fontes, habitante de Abreiro, a linha não devia encerrar porque "nem todas as pessoas tem carro ou dinheiro para alugar um táxi quando precisam de ir, por exemplo, a Mirandela".
Já Carolino Augusto, do Vieiro, disse ter muita pena de ver fechar a linha onde trabalhou, em reparações, durante muitos anos e que considera ser ainda um importante meio de transporte.
O principal "inimigo" do vale do Tua é, na opinião dos ambientalistas, a barragem prevista para a foz do rio e cujo concurso público para a sua construção abriu este mês.
João Branco referiu os impactes negativos, a nível do ambiente e também da economia local.
"Vinte por cento das vinhas do concelho de Murça, mas as que dão mais e melhores vinhos, vão ficar destruídas afectando o principal sustento de dezenas de famílias", salientou.
Apesar de ainda não se saber a que cota vai ser construída a barragem, João Branco considera que o vale do Tua ficará "irremediavelmente destruído" com esta infra-estrutura, que, na sua opinião, só trará lucros aos "grandes grupos económicos e não às populações locais".
Para além de defender a manutenção da linha do Tua, que actualmente se estende apenas do Tua (Carrazeda de Ansiães) a Mirandela, Pedro Couteiro, dirigente da Coagret, quer ainda que se recupere a ligação a Bragança e se estenda a Puebla de Sanabria, em Espanha.
A futura ligação ferroviária em Alta Velocidade Madrid-Puebla de Sanabria deverá estar concluída em 2012, e, segundo o responsável, tendo em conta que Bragança se encontra a pouco mais de 30 quilómetros de Sanabria, "seria imperativo estudar a conexão entre estes dois pontos, pois esse projecto permitiria oferecer novos horizontes a toda a região de Trás-os-Montes".
"Por Linhas Travessas" é um ciclo de percursos pedestres, ferroviários e fluviais que pretende dar a conhecer a região de Trás-os-Montes e Alto Douro através das linhas de caminho de ferro.
Joaquim Silva, do NEPA, referiu que, nos próximos meses, vão ser organizadas passeios, todos acompanhados por especialistas em fauna, flora e paisagem, nas linhas estreitas do Tâmega, Corgo, estando previsto ainda um regresso ao Tua.
Também para 14 de Março, em que se assinala o Dia Internacional da acção dos danos contra os rios, água e a vida, as três associações ambientalistas estão já a programar um conjunto de iniciativas que decorrerão entre Mirandela e a estação do Tua.

PLI.

Lusa/Fim

quarta-feira, 23 de janeiro de 2008

Linha do Tua reabre já na próxima semana

A linha do Tua vai reabrir na sua totalidade já na próxima semana. Esta decisão saiu da reunião, que teve lugar hoje em Lisboa, entre a CP, a administração da empresa Metro de Mirandela e a câmara desta cidade.

A reabertura vai acontecer com duas viagens de manhã e duas à tarde, entre Mirandela e o Tua, a fim de fazer as conexões com os comboios que ligam a região do Douro ao Porto.

Recorde-se que a linha, entre a estação do Tua e a da Brunheda, encontra-se encerrada desde o acidente de 12 de Fevereiro de 2007, envolvendo uma composição da Refer, que, devido ao deslizamento de terras e pedras, mergulhou dezenas de metros até ao rio, provocando a morte a três pessoas.

José Silvano, presidente da Câmara de Mirandela, disse ao PÚBLICO que “esta reabertura vai fazer-se seguindo as indicações do Laboratório Nacional de Engenharia Civil (LNEC)”, isto é com a chamada marcha à vista – que significa que o maquinista deve avançar a uma velocidade que o próprio, mediante as condições atmosféricas ou outras, considere as indicadas para observar toda a segurança na circulação.

Esta reabertura acontece num momento de muita incerteza quanto ao futuro deste trecho ferroviário, um dos mais belos do mundo, pois está para breve a decisão do Governo de atribuição, provavelmente à EDP, da construção da barragem da foz do rio Tua, que inundará parte desta linha, inviabilizando assim o seu funcionamento pleno.
Visto em: Jornal O Público

terça-feira, 18 de dezembro de 2007

Mirandela (gelada)


O frio tem sido tanto que o Rio Tua gelou. Esta tarde, para completar o cenário, começaram a cair algumas amostras de neve que pintaram o gelo de branco. Apesar da beleza, frio é que não faltava. Mesmo assim não resisti a tentação de fotografar o rio, as pontes e a cidade, onde os cinzentos são as cores predominantes.

domingo, 21 de outubro de 2007

Barragem não afectará vinhedos nem linha de comboio

EDP já admitiu poder baixar a cota no Tua
Autarcas querem reduzir cota da barragem para viabilizar a linha ferroviária do Tua e desenvolver projectos turísticos na região vinhateira do Douro.
Mário de Carvalho
16:22 | Sábado, 20 de Out de 2007


A Barragem de Foz Tua poderá reduzir a sua cota de forma reduzir os impactos nas zonas vinhateiras da região e permitir a circulação de comboios na ferrovia do Tua. "Tivemos uma reunião com a EDP onde a empresa admitiu no caso de ser a seleccionada para a construção da barragem reduzir a cota, disse ao Expresso José Artur Cascarejo, presidente de Câmara Municipal de Alijó.
A Barragem de Foz Tua está integrada no Plano Nacional de Barragens recentemente divulgado pelo Governo. A sua execução à cota máxima (196m) implicaria a submersão da linha do Tua onde já foram gastos cerca de 3 milhões de euros na sua recuperação e afectaria parte importante de vinhas, nomeadamente, da Adega Cooperativa de Murça. As termas de Carlão e São Lourenço (Alijó e Carrazeda de Ansiães) estariam igualmente condenadas.
José Cascarejo salientou ainda que as autarquias (Mirandela, Alijó, Carrazeda de Ansiães, Murça e Vila Flor) querem que depois da construção a barragem se torne numa mais valia na região em termos e emprego e turismo: "Uma barragem não cria riqueza local. Depois de feita a zona fica um deserto. Queremos encontrar fórmulas para que esse investimento possa ser rentabilizado localmente e para isso contamos com quem vai construir a barragem".
Uma fonte de EDP, que solicitou anonimato, disse ao Expresso que a empresa "não revela a sua estratégia" para este projecto que irá a concurso público para a selecção da empresa responsável pela construção da barragem: "Apenas podemos dizer que trabalhamos com diversas cotas pelo que uma alteração na cota pode ser viável desde que a rentabilidade da barragem não seja posta em causa".

Fonte: Jornal Expresso
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