A fábrica de extracção de óleo de bagaço de azeitona
instalada no Complexo Industrial do Cachão foi obrigada a suspender a
actividade. Em causa está a falta de licenciamento industrial e a
elevada quantidade de poluentes perigosos emitidos pela SODUOL –
Sociedade Duriense de Óleos, Lda.
A
decisão de suspender o funcionamento da unidade industrial partiu do
Ministério do Ambiente, Ordenamento do Território e do Desenvolvimento
Regional (MAOTDR), após a denúncia da situação pelo deputado do PCP
Agostinho Lopes, que apresentou um requerimento na Assembleia da
República (AR), na sequência de uma notícia veiculada pelo Jornal
NORDESTE em Fevereiro do ano passado. O documento exigia informação
detalhada sobre as diligências efectuadas pelo Governo, nomeadamente
pelo Ministério do Ambiente, para acabar com o drama da poluição na
localidade do Cachão, na freguesia de Frechas.
Recorde-se
que a população já tinha denunciado este problema através de um
abaixo-assinado no início de 2007, que dirigiu ao ministro do Ambiente,
governador civil de Bragança e ao presidente da Câmara Municipal de
Mirandela. Perante o silêncio das autoridades, os comunistas decidiram
levar o assunto à AR.
Depois de analisar a
situação, o MAOTDR concluiu que existem grandes probabilidades de
estarem a ser emitidos, sem autorização e sem monitorização, 32
poluentes perigosos para a água e para a atmosfera.
O
ministério avaliou os impactes potenciais e, tendo em conta que estes
poluentes são “neurotóxicos e com um grande potencial cancerígeno, para
além de serem biocumuláveis”, ordenou a suspensão da actividade da
empresa.
SODUL só poderá reiniciar actividade depois de efectuar melhoramentos ao nível do tratamento dos fumos e vapores
Em
comunicado, o MAOTDR faz, ainda, saber que o pedido de licenciamento
que deu entrada na Direcção Regional da Economia do Norte foi indeferido
no final de 2004. Além disso, a Autoridade para a Segurança Alimentar e
Económica (ASAE) já tinha interpelado aquela entidade para impor
medidas cautelares a esta unidade industrial em situação ilegal.
Confrontado
com esta situação, o presidente da Câmara Municipal de Mirandela (CMM),
José Silvano, esclarece que a autarquia só tem competência para
efectuar o licenciamento urbanístico, que se encontrava regularizado
desde 1999. “Todas as empresas do Complexo Industrial do Cachão tiveram o
licenciamento urbanístico em 1999, por deliberação da Câmara e da
Assembleia Municipal”, esclarece o edil.
José
Silvano explica, ainda, que este procedimento foi necessário porque o
complexo foi criado há mais de 40 anos pelo Camilo Mendonça como um
projecto único. “A falência é que levou ao desmembramento das empresas”,
acrescenta o autarca.
Após a inspecção do
MAOTDR, a CMM foi notificada para suspender a laboração e informar os
proprietários da fábrica das obras que são necessárias para retomar a
actividade.
Trata-se de intervenções ao
nível das caldeiras e dos laboratórios, relacionados com o tratamento
dos fumos e dos valores que são expelidos pela unidade de transformação.
Só depois de cumpridos os requisitos e de uma nova inspecção do MAOTDR é que a SODUL poderá reiniciar a actividade.
Por:
Teresa Batista
Jornal Nordeste
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sexta-feira, 3 de maio de 2013
sexta-feira, 17 de junho de 2011
Estrelas do futebol deixam jovens do Cachão encantados
Eduardo Carvalho, guarda-redes da selecção nacional. Pizzi, brigantino dos quadros do Braga, emprestado ao Paços de Ferreira. Paulo Lopes, guarda-redes do Feirense. Marco Ferreira, que já actuou no Porto e no Benfica, André Dias, do Rio Ave, Rui Borges e Rui Lopes, ambos do SC Mirandela, foram apenas algumas das estrelas que apadrinharam a festa de subida de divisão dos juniores do Cachão. (mais aqui)
quinta-feira, 26 de agosto de 2010
Matadouro do Cachão privatizado
Privatização pode avançar já no próximo mês para ultrapassar as dificuldades financeiras que a unidade de abate enfrenta. (mais aqui)
quarta-feira, 19 de agosto de 2009
O desvanecer do sonho transmontano
Aldeia do Cachão ainda é conhecida pelo colossal Complexo Industrial.
Três vezes ao dia, o silêncio e monotonia são rasgados pelo apito sonoro. Sonoridades que ressoam nas paredes degradadas e nos edifícios abandonados que já viram melhores tempos. Vestígios de um sonho que, há muito, caiu por terra e foi deixado à deriva.
Contudo, basta uma passagem pelo Cachão, na freguesia de Frechas (Mirandela), para constatar a grandiosidade e imponência das construções que, outrora, formaram o Complexo Agro-Industrial de Cachão (CAICA).
Criada na década de 60, pelas mãos do engenheiro agrónomo Camilo Mendonça (natural de Vilarelhos - Alfândega da Fé) com o apoio do Estado Novo e de Salazar, a infra-estrutura chegou a empregar milhares de pessoas. Pensado para “transformar” a agricultura e produtos transmontanos, particularmente os do Nordeste do País, numa referência a nível europeu e, mesmo, mundial, o CAIC integrava, além de infra-estruturas agro-industriais, um complexo sistema de regadio, que previa a construção de 130 barragens com paredões de terra.
Tudo que se produzia em Trás-os-Montes podia ser “enviado” para o Cachão, onde seria transformado. Castanha, hortícolas, vinho e frutícolas, entre muitos outros, depois de passarem pelo CAICA, entravam nos circuitos comerciais de Portugal, do resto da Europa e, mesmo, da Rússia ou Estados Unidos da América.
Com vista a fixar novos trabalhadores e alojar os que já laboravam no Cachão, construi-se o bairro social, também conhecido por Vila Nordeste, que acolhia mais de 100 famílias.
A par da criação deste empreendimento, foram instalados, também, alguns equipamentos de apoio, como infantário, escola primária, posto médico e centro cultural, entre outros.
Revolução de Abril “ditou” abandono do projecto
Apesar da grandiosidade e riqueza de todas as infra-estruturas a ele associadas, o CAICA entrou em decadência após a Revolução de 25 de Abril de 1974. Contudo, algumas fábricas, bem como as barragens de Alfândega da Fé, Cachão, Carvalheira, Vila Flor, Vilares da Vilariça e Vilarelhos resistiram ao abandono do empreendimento.
A situação económica complicou-se progressivamente, agravada pelo facto de Portugal passar a integrar a Comunidade Económica Europeia e porque a região ficava afastada dos principais e maiores centros urbanos e de consumo, sendo que o transporte e distribuição de produtos eram encarecidos pelas más acessibilidades.
Depois de um lento enfraquecimento económico e financeiro, o CAICAacabou por encerrar, em 1992, altura em que as autarquias de Mirandela e Vila Flor ficaram responsáveis pela administração dos imóveis.
Actualmente, ainda funcionam algumas fábricas no Cachão que empregam cerca de 200 pessoas, mas parte dos antigos funcionários do CAICA viram-se obrigados a emigrar ou procurar trabalho noutros locais da região.
in nordeste, semanário regional de informação
Três vezes ao dia, o silêncio e monotonia são rasgados pelo apito sonoro. Sonoridades que ressoam nas paredes degradadas e nos edifícios abandonados que já viram melhores tempos. Vestígios de um sonho que, há muito, caiu por terra e foi deixado à deriva.
Contudo, basta uma passagem pelo Cachão, na freguesia de Frechas (Mirandela), para constatar a grandiosidade e imponência das construções que, outrora, formaram o Complexo Agro-Industrial de Cachão (CAICA).
Criada na década de 60, pelas mãos do engenheiro agrónomo Camilo Mendonça (natural de Vilarelhos - Alfândega da Fé) com o apoio do Estado Novo e de Salazar, a infra-estrutura chegou a empregar milhares de pessoas. Pensado para “transformar” a agricultura e produtos transmontanos, particularmente os do Nordeste do País, numa referência a nível europeu e, mesmo, mundial, o CAIC integrava, além de infra-estruturas agro-industriais, um complexo sistema de regadio, que previa a construção de 130 barragens com paredões de terra.
Tudo que se produzia em Trás-os-Montes podia ser “enviado” para o Cachão, onde seria transformado. Castanha, hortícolas, vinho e frutícolas, entre muitos outros, depois de passarem pelo CAICA, entravam nos circuitos comerciais de Portugal, do resto da Europa e, mesmo, da Rússia ou Estados Unidos da América.
Com vista a fixar novos trabalhadores e alojar os que já laboravam no Cachão, construi-se o bairro social, também conhecido por Vila Nordeste, que acolhia mais de 100 famílias.
A par da criação deste empreendimento, foram instalados, também, alguns equipamentos de apoio, como infantário, escola primária, posto médico e centro cultural, entre outros.
Revolução de Abril “ditou” abandono do projecto
Apesar da grandiosidade e riqueza de todas as infra-estruturas a ele associadas, o CAICA entrou em decadência após a Revolução de 25 de Abril de 1974. Contudo, algumas fábricas, bem como as barragens de Alfândega da Fé, Cachão, Carvalheira, Vila Flor, Vilares da Vilariça e Vilarelhos resistiram ao abandono do empreendimento.
A situação económica complicou-se progressivamente, agravada pelo facto de Portugal passar a integrar a Comunidade Económica Europeia e porque a região ficava afastada dos principais e maiores centros urbanos e de consumo, sendo que o transporte e distribuição de produtos eram encarecidos pelas más acessibilidades.
Depois de um lento enfraquecimento económico e financeiro, o CAICAacabou por encerrar, em 1992, altura em que as autarquias de Mirandela e Vila Flor ficaram responsáveis pela administração dos imóveis.
Actualmente, ainda funcionam algumas fábricas no Cachão que empregam cerca de 200 pessoas, mas parte dos antigos funcionários do CAICA viram-se obrigados a emigrar ou procurar trabalho noutros locais da região.
in nordeste, semanário regional de informação
segunda-feira, 6 de abril de 2009
Fábrica encerrada no Cachão continua a poluir

«A laborar mas sem licenciamento»
A fábrica de extracção de óleos do Cachão, encerrada em Maio do ano passado, pelas autoridades, por falta de condições, continua a laborar.
Isso mesmo foi confirmado por vários populares ao deputado comunista da Assembleia da República, Agostinho Lopes, que ontem esteve naquela localidade do concelho de Mirandela.
Segundo o autarca José Silvano, a fábrica continua sem licenciamento para laborar e até já foi notificada a pagar uma coima, mas o caso está agora em tribunal.
“Está a laborar mas sem licenciamento” refere o autarca. Depois de em Maio ter sido decretado o seu encerramento “até agora não entrou nenhum pedido de legalização do funcionamento” acrescenta José Silvano. No entanto “com os rumores que se iam ouvindo, a câmara notificou os proprietários no sentido de a fábrica não poder laborar mas eles contestaram dizendo que não estavam a funcionar”. Ainda assim, a autarquia enviou o processo para tribunal.
Ontem mesmo, Agostinho Lopes, deputado comunista na Assembleia da República, confirmou que a unidade industrial continua a causar enorme preocupação na população e promete voltar a questionar o Governo sobre esta questão.
Agostinho Lopes constatou que a população local continua confrontada com a poluição, nomeadamente fumos e cinzas lançados pelas chaminés da fábrica de extracção de óleo de bagaço de azeitona, instalada no antigo complexo agro-industrial do Cachão, apesar de admitirem que a situação já não é tão grave após algumas obras efectuadas pela empresa.
“Ás cinco ou seis da manhã é um cheiro insuportável e com as alterações que fizeram continua a mesma coisa” afirma um habitante. “Durante o verão teve fechado para obras e construíram uma chaminé nova mas o problema continua porque as chaminés antigas ainda estão a funcionar” explica outro morador da aldeia.
Recorde-se que o deputado comunista apresentou vários requerimentos na Assembleia da República onde dava a conhecer a situação. Em Maio de 2008, o Ministério do Ambiente respondeu que a unidade industrial em causa não estava licenciada e que na análise técnica dos impactes potenciais gerados por este tipo de fábricas, podem ser identificados como passíveis de serem emitidos poluentes neurotóxicos e com grande potencial cancerígeno. Quase um ano depois, o deputado Agostinho Lopes considera grave que a situação não tenha sido analisada pelo Ministério da Saúde.
“Eu tenho uma resposta do ministério do ambiente a dizer que estas substâncias são toxinas e cancerígenas e que a fábrica nem sequer estava licenciada” recorda o deputado. “Mas passados muitos meses recebo uma resposta do ministério da saúde a dizer que o delegado de saúde não via perigo para a população, o que é contraditório” considera.
Perante a resposta do ministério do ambiente, Agostinho Lopes entende que a sub-região de saúde de Bragança devia ter feito “uma despistagem junto da população para verificar se havia ou não consequências”.
Perante isto, o deputado comunista promete agora levar novamente a situação à Assembleia da República e reclamar dos ministérios do Ambiente e da Saúde medidas para travar a poluição e as eventuais consequências para os habitantes da aldeia
Até ao momento não foi possível obter qualquer reacção por parte da empresa que é responsável por esta fábrica de extracção de óleos do Cachão.
Rádio Brigantia, 2009-04-06

Fotografias tiradas a 04/04/2009
terça-feira, 12 de agosto de 2008
Cachão - Mirandela (II)
No dia 29 de Julho voltei à Linha do Tua. O objectivo era completar a segunda volta à linha, desta vez em pleno Verão, para poder comparar com aquela que tinha feito na Primavera.
Cheguei ao Cachão, pouco depois das 10 horas. Desta vez não dependia da passagem da automotora. Andava uma pessoa a arrancar algumas ervas nos passeios da estação e, numa curta conversa, fiquei a saber que o troço entre Frechas e Mirandela se encontrava em obras de melhoramento. A Linha do Tua estava toda assente em terra, mas, a situação foi sendo melhorada ao longo dos últimos tempos. Já tinha reparado que o troço mais envelhecido, era entre Frechas e Mirandela, exactamente aquele que se encontra agora em obras.
Esta informação aguçou a minha curiosidade. Na viagem que aqui fiz a 25 de Abril de 2008, tirei fotografias fantásticas, com as papoilas a invadirem a linha. Dá-me ideia que essas imagens nunca mais se vão repetir.

O quilómetro 42º acompanha a estrada N213. Foi uma zona em que tirei boas fotografias. O aspecto estava completamente diferente. Ladeavam a linha duas faixas de ervas completamente ressequidas, com sementes que se prendiam à roupa, lutando pela sua disseminação. Até o bonito jardim de uma moradia que existe sensivelmente a meio desse quilómetro, estava um pouco mais desleixado do que o habitual. Tinha muitas rosas secas.
Um pouco mais à frente reencontrei um casal de aves de rapina que habita esta zona. Estou em crer que se trata de um casal de milhafres-reais (Milvus milvus). Há outro casal de aves de rapina que nidifica entre a Ribeirinha e o Vilarinho das Azenhas, este deve nidificar aqui. Também, logo a seguir a Latadas, há um troço de rio muito largo, com muita água, onde, penso existir mais um casal residente.
Com o céu sem nuvens, o Faro parecia-me ali perto. Este monte fascina-me! Gosto muito de fotografar a linha com o monte a fazer de fundo. Parece até que estamos numa paisagem do centro ou norte da Europa.

Pouco depois avistei as o Bairro Nossa Senhora de Lurdes, em Frechas. Ao chegar à estação, não pude deixar de reparar nas ruínas em redor. Houve um tempo em que a linha era o principal acesso a estas terras. À volta das estações da linha cresciam comércios, pensões e armazéns, conforme a população que serviam. Por exemplo, o Cachão, era o ponto de entrada para o concelho de Vila Flor. Havia um serviço de autocarro entre Cachão e Vila Flor, mas já antes, esse percurso era feito a cavalo. Com a melhoria das estradas, o comboio foi perdendo importância e as infra-estruturas existentes foram sendo abandonadas. Em Frechas, não era difícil manter as casas de banho da estação operacionais, mas agora estão vandalizadas. Quando retomei a marcha apercebi-me que estava quase na hora de passar a automotora. Já não me dava tempo para chegar ao Túnel, por isso abandonei a linha e decidi esperar por ela à sombra de uns enormes choupos brancos. Passou poucos minutos depois, cheia de passageiros, muitos deles turistas que viajam na Linha do Tua por prazer. Estes são, cada vez mais.
Junto à Ponte da Carvalha, entretive-me a tentar fotografar as borboletas. As flores em volta da linha são poucas, ao contrário das borboletas que abundam, mas são muito ligeiras, voando ao mais pequeno movimento.

Pouco depois atravessei o Túnel de Frechas e a vista alargou-se de novo para o rio. A beleza deste vale está neste namoro constante, entre a linha e o rio que raramente se separam. Seguem o mesmo curso, traçam as mesmas curvas, rasgam as mesmas fragas, enfrentam as mesmas ameaças.
Entrei no troço em obras. Está a ser feita uma grande obra: construção de muros de sustentação, aquedutos de escoamento de águas; colocação de gravilha; substituição das travessas; nova soldadura dos carris. Estes são os melhoramentos que uns olhos não treinados vêem. Na zona em obras, é muito complicado andar pela linha. A gravilha cobre mesmo as travessas. Além de ser doloroso estar sempre a caminhar sobre este tipo de piso, é também perigoso. O facto de o pé não apoiar bem, aumenta o risco de entorses. São necessárias umas boas botas.
A zona das Latadas está completamente diferente. Há pouca água, mas as árvores, exuberantes, continuam a dar bastante beleza ao local.
Pouco antes de chegar à Quinta do Choupim, há uma zona plana, com pastos, que me deu grande gozo fotografar na Primavera. Como seria de esperar, agora estava tudo seco. Estava nessa zona quando passou uma nova automotora em direcção a Mirandela.
Era 1:50 da tarde e tinha quatro quilómetros para percorrer. Consultei os horários. Só tinha transporte de Mirandela para o Cachão às 16:14, por isso não tinha necessidade de me apressar.

Dois quilómetros antes de chegar a estação de Mirandela, encontrei o local onde decorriam as obras de substituição das travessas mais velhas. O trabalho é feito durante a noite, uma vez que é necessário arrancar os carris, por isso, não se via ninguém a trabalhar.
Cheguei junto da Ponte Europa. O ambiente era de festa. Do outro lado do rio via-se e adivinhava-se, grande animação, mas ainda contida, dado o calor da tarde.
Demorei bastante tempo a percorrer o último quilómetro. Parava a cada instante, espreitava o rio através do jardim. Sentei-me na relva, retirei as sapatinhas e a maior parte das sementes que levava presas às meias.
Às três e meia da tarde, atravessei todo o Parque do Império e parte da Ponte Românica para tirar algumas fotografias e comprar água fresca. Neste percurso não tive problemas com a água. As três garrafas pequenas que levei, chegaram-me até Mirandela. Apesar do sol, circulou sempre algum ar fresco e não transpirei muito, talvez também pelo facto da linha se encontrar mais próxima da frescura do rio, coisa que não acontece nos troços do início da linha.

À hora da partida da automotora, já estava na estação. Estava completamente lotada, também não me importei, viajo sempre de pé. Muitas das pessoas eram turistas. Alguns vão de carro até ao Tua, fazem o percurso ascendente, almoçam em Mirandela e voltam ao Tua pela tarde.
Com a aproximação do Verão, as automotoras circulam sempre cheias. A linha tornou-se uma atracção turística, mais pela polémica, do que pela promoção que as autarquias fazem. Antes pelo contrário, algumas autarquias, escondem o Rio e a Linha do Tua, com receio que as suas ideias mercantilistas sejam postas à prova, contrariando a ideia de que a linha não é utilizada.
Regressei ao Cachão na automotora. Completei com este percurso, duas voltas à linha, entre Foz-Tua e Mirandela. Talvez quando chegar o mês de Outubro me anime a percorrê-la de novo, em busca das cores do Outono. Até lá, vou-me deliciando com centenas e centenas de fotografias e as recordações de passeios inesquecíveis.
Cheguei ao Cachão, pouco depois das 10 horas. Desta vez não dependia da passagem da automotora. Andava uma pessoa a arrancar algumas ervas nos passeios da estação e, numa curta conversa, fiquei a saber que o troço entre Frechas e Mirandela se encontrava em obras de melhoramento. A Linha do Tua estava toda assente em terra, mas, a situação foi sendo melhorada ao longo dos últimos tempos. Já tinha reparado que o troço mais envelhecido, era entre Frechas e Mirandela, exactamente aquele que se encontra agora em obras.
Esta informação aguçou a minha curiosidade. Na viagem que aqui fiz a 25 de Abril de 2008, tirei fotografias fantásticas, com as papoilas a invadirem a linha. Dá-me ideia que essas imagens nunca mais se vão repetir.

O quilómetro 42º acompanha a estrada N213. Foi uma zona em que tirei boas fotografias. O aspecto estava completamente diferente. Ladeavam a linha duas faixas de ervas completamente ressequidas, com sementes que se prendiam à roupa, lutando pela sua disseminação. Até o bonito jardim de uma moradia que existe sensivelmente a meio desse quilómetro, estava um pouco mais desleixado do que o habitual. Tinha muitas rosas secas.
Um pouco mais à frente reencontrei um casal de aves de rapina que habita esta zona. Estou em crer que se trata de um casal de milhafres-reais (Milvus milvus). Há outro casal de aves de rapina que nidifica entre a Ribeirinha e o Vilarinho das Azenhas, este deve nidificar aqui. Também, logo a seguir a Latadas, há um troço de rio muito largo, com muita água, onde, penso existir mais um casal residente.
Com o céu sem nuvens, o Faro parecia-me ali perto. Este monte fascina-me! Gosto muito de fotografar a linha com o monte a fazer de fundo. Parece até que estamos numa paisagem do centro ou norte da Europa.

Pouco depois avistei as o Bairro Nossa Senhora de Lurdes, em Frechas. Ao chegar à estação, não pude deixar de reparar nas ruínas em redor. Houve um tempo em que a linha era o principal acesso a estas terras. À volta das estações da linha cresciam comércios, pensões e armazéns, conforme a população que serviam. Por exemplo, o Cachão, era o ponto de entrada para o concelho de Vila Flor. Havia um serviço de autocarro entre Cachão e Vila Flor, mas já antes, esse percurso era feito a cavalo. Com a melhoria das estradas, o comboio foi perdendo importância e as infra-estruturas existentes foram sendo abandonadas. Em Frechas, não era difícil manter as casas de banho da estação operacionais, mas agora estão vandalizadas. Quando retomei a marcha apercebi-me que estava quase na hora de passar a automotora. Já não me dava tempo para chegar ao Túnel, por isso abandonei a linha e decidi esperar por ela à sombra de uns enormes choupos brancos. Passou poucos minutos depois, cheia de passageiros, muitos deles turistas que viajam na Linha do Tua por prazer. Estes são, cada vez mais.
Junto à Ponte da Carvalha, entretive-me a tentar fotografar as borboletas. As flores em volta da linha são poucas, ao contrário das borboletas que abundam, mas são muito ligeiras, voando ao mais pequeno movimento.

Pouco depois atravessei o Túnel de Frechas e a vista alargou-se de novo para o rio. A beleza deste vale está neste namoro constante, entre a linha e o rio que raramente se separam. Seguem o mesmo curso, traçam as mesmas curvas, rasgam as mesmas fragas, enfrentam as mesmas ameaças.
Entrei no troço em obras. Está a ser feita uma grande obra: construção de muros de sustentação, aquedutos de escoamento de águas; colocação de gravilha; substituição das travessas; nova soldadura dos carris. Estes são os melhoramentos que uns olhos não treinados vêem. Na zona em obras, é muito complicado andar pela linha. A gravilha cobre mesmo as travessas. Além de ser doloroso estar sempre a caminhar sobre este tipo de piso, é também perigoso. O facto de o pé não apoiar bem, aumenta o risco de entorses. São necessárias umas boas botas.
A zona das Latadas está completamente diferente. Há pouca água, mas as árvores, exuberantes, continuam a dar bastante beleza ao local.
Pouco antes de chegar à Quinta do Choupim, há uma zona plana, com pastos, que me deu grande gozo fotografar na Primavera. Como seria de esperar, agora estava tudo seco. Estava nessa zona quando passou uma nova automotora em direcção a Mirandela.
Era 1:50 da tarde e tinha quatro quilómetros para percorrer. Consultei os horários. Só tinha transporte de Mirandela para o Cachão às 16:14, por isso não tinha necessidade de me apressar.

Dois quilómetros antes de chegar a estação de Mirandela, encontrei o local onde decorriam as obras de substituição das travessas mais velhas. O trabalho é feito durante a noite, uma vez que é necessário arrancar os carris, por isso, não se via ninguém a trabalhar.
Cheguei junto da Ponte Europa. O ambiente era de festa. Do outro lado do rio via-se e adivinhava-se, grande animação, mas ainda contida, dado o calor da tarde.
Demorei bastante tempo a percorrer o último quilómetro. Parava a cada instante, espreitava o rio através do jardim. Sentei-me na relva, retirei as sapatinhas e a maior parte das sementes que levava presas às meias.
Às três e meia da tarde, atravessei todo o Parque do Império e parte da Ponte Românica para tirar algumas fotografias e comprar água fresca. Neste percurso não tive problemas com a água. As três garrafas pequenas que levei, chegaram-me até Mirandela. Apesar do sol, circulou sempre algum ar fresco e não transpirei muito, talvez também pelo facto da linha se encontrar mais próxima da frescura do rio, coisa que não acontece nos troços do início da linha.

À hora da partida da automotora, já estava na estação. Estava completamente lotada, também não me importei, viajo sempre de pé. Muitas das pessoas eram turistas. Alguns vão de carro até ao Tua, fazem o percurso ascendente, almoçam em Mirandela e voltam ao Tua pela tarde.
Com a aproximação do Verão, as automotoras circulam sempre cheias. A linha tornou-se uma atracção turística, mais pela polémica, do que pela promoção que as autarquias fazem. Antes pelo contrário, algumas autarquias, escondem o Rio e a Linha do Tua, com receio que as suas ideias mercantilistas sejam postas à prova, contrariando a ideia de que a linha não é utilizada.
Regressei ao Cachão na automotora. Completei com este percurso, duas voltas à linha, entre Foz-Tua e Mirandela. Talvez quando chegar o mês de Outubro me anime a percorrê-la de novo, em busca das cores do Outono. Até lá, vou-me deliciando com centenas e centenas de fotografias e as recordações de passeios inesquecíveis.
Mais informação no Blog: A Linha é Tua
segunda-feira, 14 de julho de 2008
De volta à Linha do Tua
terça-feira, 6 de maio de 2008
Ministério do Ambiente manda suspender fábrica de óleos do Cachão
O Ministério do Ambiente ordenou o encerramento da fábrica óleos do Cachão por alegadamente constituir um sério perigo para a saúde pública. A empresa estará a funcionar ilegalmente há cerca de sete anos, podendo estar a libertar poluentes altamente tóxicos e cancerígenos, que estarão a contaminar o ambiente na freguesia vizinha de Frechas. Perante a situação, a tutela notificou a Entidade Coordenadora do Licenciamento para que seja ordenada a suspensão imediata da actividade da Sociedade Duriense de Óleos, a laborar no complexo do Cachão.
A situação foi revelada como resposta a um requerimento apresentado pelo Partido Comunista, na assembleia da república. O Ministério do Ambiente adianta que a fábrica não está licenciada, tendo a ASAE interpelado a Direcção Regional da Economia do Norte no sentido de serem impostas medidas cautelares à empresa. Nas últimas semanas a população de Frechas queixou-se de uma forte nuvem de fumos sobre a aldeia. Foram identificados 32 poluentes susceptíveis de poluir ar e cursos de água, parte deles “neurotóxicos “e outros com “grande potencia cancerígeno”. Como confirma, José Brinquete, do PCP de Bragança. O facto de esta unidade industrial de tratamento e extracção de óleos estar a operar em situação ilegal levanta, segundo Brinquete, mais questões graves para a preservação ambiental. Agora perante a confirmação da ilegalidade da fábrica e do perigo para a saúde dos trabalhadores e habitantes, o Partido Comunista vai apresentar um requerimento na Assembleia da República para saber que medidas o Ministério do Ambiente vai tomar e exigir mais testes e rastreios à população e trabalhadores. O Ministério do Ambiente veio confirmar o grave impacto, que a fábrica de tratamento de óleos, instalada no complexo industrial do Cachão em Mirandela, está a ter no ambiente e saúde pública da zona. O PCP acusa o presidente da câmara de Mirandela de ter mentido, quando afirmou que a fábrica estava a funcionar legalmente”, o que não se verifica. A RBA tentou contactar José Silvano, mas ainda não foi possível obter uma resposta por parte do autarca.
Fonte: RBA
A situação foi revelada como resposta a um requerimento apresentado pelo Partido Comunista, na assembleia da república. O Ministério do Ambiente adianta que a fábrica não está licenciada, tendo a ASAE interpelado a Direcção Regional da Economia do Norte no sentido de serem impostas medidas cautelares à empresa. Nas últimas semanas a população de Frechas queixou-se de uma forte nuvem de fumos sobre a aldeia. Foram identificados 32 poluentes susceptíveis de poluir ar e cursos de água, parte deles “neurotóxicos “e outros com “grande potencia cancerígeno”. Como confirma, José Brinquete, do PCP de Bragança. O facto de esta unidade industrial de tratamento e extracção de óleos estar a operar em situação ilegal levanta, segundo Brinquete, mais questões graves para a preservação ambiental. Agora perante a confirmação da ilegalidade da fábrica e do perigo para a saúde dos trabalhadores e habitantes, o Partido Comunista vai apresentar um requerimento na Assembleia da República para saber que medidas o Ministério do Ambiente vai tomar e exigir mais testes e rastreios à população e trabalhadores. O Ministério do Ambiente veio confirmar o grave impacto, que a fábrica de tratamento de óleos, instalada no complexo industrial do Cachão em Mirandela, está a ter no ambiente e saúde pública da zona. O PCP acusa o presidente da câmara de Mirandela de ter mentido, quando afirmou que a fábrica estava a funcionar legalmente”, o que não se verifica. A RBA tentou contactar José Silvano, mas ainda não foi possível obter uma resposta por parte do autarca.
Fonte: RBA
segunda-feira, 17 de dezembro de 2007
Cachão vai ter saneamento novo e calcetamento
Ainda pela freguesia de Frechas, mas na aldeia do Cachão, a autarquia vai avançar em breve com a instalação de uma nova rede de água e saneamento, para depois proceder ao calcetamento de toda a aldeia, incluindo tanto o bairro como a parte antiga.
"É a grande lacuna e falha na freguesia, tendo em conta tudo aquilo que envolve: nova rede de água, saneamento e arruamentos. Para ver se uma vez por todas pomos em ordem aquelas áreas que têm sido tremendamente difícil a sua gestão", conta José Silvano, presidente da Câmara.
A autarquia vai gastar cerca de 600 mil euros nos trabalhos, mas não será a única a investir no Cachão. Também a empresa Águas de Trás-os-Montes e Alto Douro já lançou o concurso para a construção de uma Estação de Tratamento de Águas Residuais (ETAR) que custará 500 mil euros, e ficará instalada no Complexo Agro-industrial do Cachão.
Obras que Jorge Pereira vê com agrado, assim como o finalizar da remodelação da escola do primeiro ciclo do cachão, terminada há dias. "Penso que há realmente boas condições de trabalho e valeu a pena as pessoas esperarem. Naturalmente que essas situações originam alguma insatisfação, mas isso é normal", diz o autarca de Frechas.
Jornal Terra Quente
"É a grande lacuna e falha na freguesia, tendo em conta tudo aquilo que envolve: nova rede de água, saneamento e arruamentos. Para ver se uma vez por todas pomos em ordem aquelas áreas que têm sido tremendamente difícil a sua gestão", conta José Silvano, presidente da Câmara.
A autarquia vai gastar cerca de 600 mil euros nos trabalhos, mas não será a única a investir no Cachão. Também a empresa Águas de Trás-os-Montes e Alto Douro já lançou o concurso para a construção de uma Estação de Tratamento de Águas Residuais (ETAR) que custará 500 mil euros, e ficará instalada no Complexo Agro-industrial do Cachão.
Obras que Jorge Pereira vê com agrado, assim como o finalizar da remodelação da escola do primeiro ciclo do cachão, terminada há dias. "Penso que há realmente boas condições de trabalho e valeu a pena as pessoas esperarem. Naturalmente que essas situações originam alguma insatisfação, mas isso é normal", diz o autarca de Frechas.
Jornal Terra Quente
terça-feira, 2 de outubro de 2007
Céu azul - Cachão
Quando o céu fica escuro e começam a cair as primeiras chuvas do Outono, já sentimos saudades do céu azul trasmontano.A fotografia é da Barragem do Cachão, concluída em 1972, no tempo do Eng. Camilo Mendonça, para abastecer de água o Complexo Agro-Industrial e regar os respectivos terrenos agrícolas.
domingo, 10 de junho de 2007
Central meleira

A Central Meleira da Terra Quente (CMTQ) vai começar a trabalhar, no Complexo Agro-Industrial do Cachão. O arranque da actividade foi anunciado no Dia do Apicultor, na passada sexta-feira, que decorreu no Centro Educativo da Actividade Melífera, em Vilarelhos, concelho de Alfândega da Fé. Após obras de remodelação, a unidade do Cachão, na freguesia de Frechas, já pode receber uma máquina que permitirá extrair o mel em maiores quantidades e com qualidade superior, utilizando menos mão-de-obra.
quinta-feira, 12 de abril de 2007
MATADOURO

ASAE apreende carne no Cachão, Setecentos quilos de carne congelada foram apreendidos no matadouro do Cachão, na freguesia de FRECHAS, numa operação levada a cabo pela Autoridade de Segurança Alimentar e Económica (ASAE).
O administrador do complexo foi constituido arguido pelo Ministério Público.
A ASAE confiscou cinquenta e seis leitões e cinco peças de rosbife de vitela, no total de 470 quilos que estavam estragados e impróprios para consumo. Esta carne foi depois selada e destruida.
A Autoridade da Segurança Alimentar apreendeu ainda trinta e cinco borregos com cerca de 260 quilos, que estavam congelados em vácuo sem o devido licenciamento para este tipo de congelação.
Por este motivo, foi instaurada à empresa Agro-Industrial do Nordeste uma contra-ordenação. Esta carne foi distribuida por diversas instituições de solidariedade social de Mirandela.Contactado pela RBA o administrador da AIN, a entidade gestora do Cachão, não quis prestar esclarecimentos sobre esta apreensão.
Ao Jornal de Noticias afirmou estar a decorrer um inquérito interno para averiguar responsabilidades, explicando que a carne foi congelada porque não havia compradores.
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